BNDES aprova crédito de R$ 3 bilhões para produtores de etanol

Cana de Açúcar (Foto: José Reynaldo da Fonseca/Wikipédia)

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou nesta quinta (4) a linha de financiamento garantida por estoques de etanol para usinas sucroalcooleiras, no valor de R$ 3 bilhões, que deverá estar disponível ainda este mês. Inicialmente, o setor pediu R$ 9 bilhões, em um cenário que previa a estocagem de um quarto da produção prevista para a safra 2020/2021.

As informações foram publicadas pelo Valor Econômico e confirmadas pelo BNDES.

A linha será implementada pelo BNDES por meio de um consórcio de bancos privados liderado pelo Banco do Brasil. O BNDES disponibilizará até R$ 1,5 bilhão e as demais instituições financeiras, a outra metade. O bancos também poderão oferecer crédito por conta própria, além dos R$ 3 bilhões estipulados inicialmente.

A empresa interessada na linha de crédito deverá ter faturamento mínimo de R$ 300 milhões ao ano. O valor máximo individual do financiamento será de R$ 200 milhões e o mínimo de R$ 10 milhões. A operação terá prazo de 24 meses, com até 6 meses de carência, e a garantia será o estoque de etanol que cada usina possui.

Segundo o jornal, o custo da operação será de TLP+1,5%, mais um spread de risco — que dependerá da classificação de crédito de cada empresa. O Valor afirma ainda que há condições mais favoráveis, com redução para TLP+1,1% para usinas que mantiverem ao menos 90% de seu quadro de funcionários por 12 meses ou, em caso de demissões, realize acordos coletivos com sindicato de trabalhadores.

O BNDES, em nota, confirmou que haverá incentivo à preservação dos empregos, com custos mais baixos para empresas que mantiverem ou aumentarem os postos de trabalho nos próximos 12 meses, mas não detalhou as taxas da operação.

Usina São Martinho (Foto: Divulgação)

“O setor é responsável por 1 milhão de empregos no interior do país e pela geração de US$ 10 bilhões em exportações por ano. Uma pesquisa realizada pelo IBRE/FGV em março aponta o mercado de petróleo e biocombustíveis como o mais afetado pela crise. Os biocombustíveis sofreram com a diminuição de consumo superior a 30% e também com a queda no preço internacional do petróleo – o que tornou o etanol menos competitivo. Além disso, as empresas sucroalcooleiras enfrentam um momento de caixa baixo por conta do início do período da safra, que vai de abril a dezembro”, afirma o BNDES.

Risco é crédito não chegar na ponta

Além da demora para formação da linha de crédito, há um preocupação no setor com a capilaridade que a medida terá, para atingir o objetivo de evitar que usinas mais expostas à crise quebrem pela combinação de queda nos preços e na demanda por combustíveis.

“Fica clara a letargia, demoramos para tomar medidas e criar mecanismos para atenuar os efeitos do coronavírus. Abril foi o ápice da quarentena, com o menor nível de preço, e somente um mês depois a linha foi liberada”, critica Haroldo Torres, economista do Pecege.

As taxas oferecidas pelo, variando de TLP+1,1% a TLP+1,5%, representam crédito ao custo de 5,31% mais o spread de risco, o que é positivo. A preocupação é com o acesso, já que algumas usinas já estavam enfrentando dificuldades para contratar empréstimos, tanto pelo modelo de warrantagem quando para custeio, dado o nível de risco do setor, explica o economista.

“Acredito que podemos enfrentar uma seleção adversa, onde quem terá acesso a esse crédito serão os melhores players, que atendem às obrigações contratuais. Eventualmente, os que mais precisam não vão ter acesso a essa linha, dada a situação em que se encontram e o risco que têm. O próprio spread de risco pode inviabilizar a operação para algumas usinas”, afirma.

Mês passado, Haroldo Torres realizou um estudo sobre a capacidade de estocagem de etanol brasileiro, concluindo que há uma disparidade entre os produtores quanto a capacidade de armazenar o combustível, em caso de restrição de demanda, e, portanto, para garantir os empréstimos.

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“Essa seleção adversa vai existir de duas formas: a primeira afetando as usinas que já estão em dificuldades financeiras e que não têm bons indicadores de crédito, não sendo capazes de atender os indicadores exigidos para obtenção desse crédito, e a segunda beneficiando quem tem maior capacidade de tancagem”, conclui.

Estimativas da Unica, em abril, era para uma necessidade de estocagem de 6 bilhões de litros de etanol na safra 2020/2021. Se a previsão se cumprir, os R$ 3 bilhões de crédito representariam 50 centavos de capital de giro por litro de etanol, “o que ajuda a suavizar o problema mas é ainda é um valor baixo”, conclui o economista.

Via EPBR

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